Observe a realidade tal como É. Assim terás força e capacidade de ação!
Toc toc

POR QUE ANUNCIAMOS

Compramos espaço de publicidade no Google, na Meta e no TikTok — as mesmas empresas que esta biblioteca ensina você a deixar para trás.

Isso deveria incomodar você. Incomoda a nós.

4 min de leitura

A contradição, dita sem rodeio

A convexe escreve que a vida digital boa se constrói subtraindo: primeiro se remove o que escraviza, depois se ordena o que serve. E a convexe paga ao Google para aparecer na sua tela.

Não vamos maquiar isso com a palavra “estratégia”. É uma tensão real, e quem a esconde do leitor já perdeu o direito de ser levado a sério sobre o resto.

Por que mesmo assim

Porque o silêncio não é uma virtude quando há alguém procurando.

Todos os dias, no Brasil, pais digitam no Google “como tirar meu filho do celular”, “aplicativo de mensagem que não lê minhas conversas”, “como sair do WhatsApp sem perder contato”. Eles estão procurando. Se nós não estivermos lá, o que encontram é o anúncio de mais um aplicativo que promete resolver o problema adicionando mais uma coisa.

Não recusar o ouro do Egito é uma tradição antiga. Santo Agostinho argumentou que os cristãos podem tomar o que há de verdadeiro na filosofia pagã como os israelitas levaram o ouro egípcio na saída — o metal não se corrompe por ter passado pelas mãos do Faraó (De Doctrina Christiana II, 40). Quando pediram a Cristo uma opinião sobre o imposto, Ele pediu a moeda, segurou-a na mão, olhou a efígie de César e devolveu. Não recusou tocar na moeda. Devolveu-a a quem pertencia.

Um anúncio é uma moeda. A questão não é se ela tem a cara de César. É o que você faz com ela e o que aceita fazer para consegui-la.

Onde está a linha

Toda a diferença está numa frase, e ela é técnica, não retórica:

Compramos a atenção deles. Não entregamos você a eles.

Isto significa, concretamente:

O que fazemos

  • Pagamos para aparecer em buscas que você já estava fazendo. Você procurou; nós aparecemos.
  • Medimos os nossos anúncios pelo nosso próprio servidor, com ferramenta livre e auto-hospedada: o Umami, rodando em data.convexe.org, numa máquina nossa. Sem cookie, sem identificador persistente, e o seu endereço IP não é guardado — não existe sequer a coluna onde ele ficaria.
  • Informamos, na página de destino, que você chegou por um anúncio.

O que não fazemos — e nunca faremos

  • Não existe um único script de terceiros no convexe.org. Nenhum pixel da Meta, nenhuma tag do Google Analytics, nenhum pixel do TikTok, nenhum cookie de rastreamento. Abra o inspetor do navegador e confira. Se um dia encontrar um, escreva para privacidade@convexe.org e nos cobre publicamente.
  • Hoje não há exceção. Houve, e nós contamos qual: até 30 de julho de 2026 o Google Analytics e o script da plataforma de loja carregavam nas 91 páginas do site, inclusive na trilha que ensina a evitar exatamente isso. Naquele dia os dois saíram das páginas de conteúdo, e o da loja ficou só nas três páginas que tinham carrinho. Em 15 de agosto de 2026 a loja também saiu: o comércio da convexe passou a acontecer na OCXE, e com ela foi embora o último script de terceiro deste site. Agora é zero. Preferimos contar isso a fingir que nunca aconteceu.
  • Não construímos “públicos semelhantes” a partir de quem visita a biblioteca.
  • Não usamos remarketing. Se você leu e foi embora, foi embora. Não vamos persegui-lo pela internet.
  • Não compramos listas, não enriquecemos dados, não cruzamos cadastros.

O que exatamente eles ficam sabendo

Não vamos dizer “nada”, porque seria mentira.

O Google sabe que você clicou num anúncio — ele processou o clique. Sabe o termo que você buscou, porque a busca é dele. Nada disso passa por nós, e nada disso muda pelo que fazemos ou deixamos de fazer.

O que muda é o depois. A partir do momento em que você entra no convexe.org, as plataformas perdem você de vista, porque não há nada nosso na página falando com elas.

Quando alguém nos deixa um e-mail, informamos ao Google que aquele clique virou um contato — sem o e-mail, sem o nome, sem o que a pessoa leu. Um número, não uma pessoa. Isso é o mínimo necessário para não queimar dinheiro anunciando no vazio, e é o máximo que aceitamos dar.

Como bloquear os nossos anúncios

Se depois de ler isto você continua achando que anunciar ali é errado, você tem um argumento e nós temos um dever: ensinar você a nos bloquear também.

  1. uBlock Origin no navegador remove os nossos anúncios junto com todos os outros. É o primeiro passo que a biblioteca recomenda de qualquer forma.
  2. Um buscador que não vende anúncios — troque o Google por um mecanismo que não leiloa a sua atenção. A biblioteca explica como.
  3. DNS filtrante no roteador de casa bloqueia a publicidade para todos os aparelhos da família de uma vez.

Se você fizer isso, terá perdido os nossos anúncios e ganho a coisa que os nossos anúncios existem para lhe oferecer. Ficamos no lucro.

Quando vamos parar

No dia em que a biblioteca for encontrada sem que precisemos pagar por isso. Anunciar é uma muleta de quem ainda não é conhecido, e muleta boa é a que se joga fora.

Enquanto isso, preferimos ser criticados por comprar um anúncio do que ser ignorados por pureza.

UMA SUBTRAÇÃO POR SEMANA

A biblioteca inteira está aqui, aberta, de graça, e vai continuar assim. Mas ler tudo de uma vez não muda nada. O que muda é tirar uma coisa por vez, na ordem certa — porque a ordem é o que separa arrumar a casa de apenas mudar os móveis de lugar.

Deixe seu e-mail e enviamos 12 subtrações, uma por semana. Cada uma leva menos de quinze minutos e remove do seu caminho algo que estava capturando você — começando pelo que custa menos e devolve mais.

Sem venda no meio, sem urgência fabricada, sem “últimas vagas”. Um clique cancela, e a política de privacidade diz exatamente o que fazemos com o seu email: mandamos isto, e nada mais.