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O "grátis" que custa caro

3 min de leitura

Não existe almoço grátis, e não existe serviço grátis. Quando você não paga com dinheiro, paga com outra coisa — sua atenção, seus dados ou sua liberdade. O aplicativo “gratuito”, a conta “gratuita”, a plataforma “gratuita”: cada um é grátis como o anzol é grátis para o peixe. O preço apenas foi adiado e escondido. A primeira disciplina aqui é ver o preço antes de aceitar o presente — e, muitas vezes, preferir pagar em dinheiro pelo que de outro modo se pagaria em dependência.

A economia da isca

Os serviços “grátis” se sustentam vendendo a sua atenção e os seus dados, ou tornando você dependente para cobrar depois e mudar as regras quando quiserem. Você não é dono da conta: ela é suspensa, estrangulada ou alterada no instante em que lhes convém. Você ergue o seu trabalho, suas fotos, seus contatos sobre terreno alugado. É a não-coisa de novo: acesso no lugar da posse. O que se perde é a propriedade, a estabilidade e a relação honesta da troca justa — você aceita o que parece um presente e entrega mais do que sabia.

O presente com anzol

Justiça é dar a cada um o que é seu, e uma troca justa é aquela em que os dois lados veem os termos. O “grátis” esconde os termos — e aí está a sua corrupção. Aceitá-lo sem crítica educa uma disposição de tomar sem pagar, de confundir dependência com generosidade. A generosidade verdadeira é dom dado sem anzol; o serviço “grátis” é o contrário — uma transação disfarçada de presente, para te capturar. O homem livre prefere pagar o preço honesto e guardar a independência; desconfia do presente que o torna dependente. Depender do que você não controla é fragilidade; possuir é robustez.

O que fazer

Antes de aceitar qualquer “grátis”, pergunte: quem paga por isto, e como? Se a resposta é a sua atenção ou os seus dados, pese com honestidade — às vezes vale, muitas vezes não. Prefira pagar pelo essencial — o e-mail, as ferramentas, o armazenamento — para ser dono e para que respondam a você. Prefira o software que se possui (livre, pago uma vez, ou hospedado por você) ao alugado e “grátis”. Reserve o “grátis” para o trivial e descartável, nunca para o que precisa durar: suas comunicações, seu trabalho, seus dados. E, quando puder, sustente com dinheiro quem faz ferramentas boas e honestas — isso também é justiça.


Para aprofundar

  • Shoshana Zuboff, A era do capitalismo de vigilância — o “grátis” como extração de dados.
  • Nassim Taleb — sobre opcionalidade e a fragilidade de depender do que não se controla.

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