Celular
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O celular é o objeto mais invasivo que você possui, e o mais difícil de possuir de verdade. Está sempre com você e sempre sentindo — localização, contatos, o número que liga tudo a você (Vigilância e identidade). Os dois sistemas dominantes vivem dos seus dados. Por isso o celular é onde a posse mais importa e onde o padrão é o pior: escolha um aparelho que deixe você rodar um sistema que você controla, e trate o celular como um sensor que se mantém na coleira.
O rastreador perfeito
GPS, microfone, câmera, o identificador universal (o seu número), e cada aplicativo um vazamento em potencial. Vendido selado e amarrado, por padrão, a uma plataforma que colhe dados. É o aparelho mais difícil de reparar e de desarmar. Carregado o dia inteiro, ele sabe onde você esteve, com quem falou e o que procurou.
O mais importante de domar
Justamente por estar sempre junto, o celular é o aparelho mais importante de trazer ao seu controle — e aquele cujo padrão de fábrica é o mais hostil. Possuir o celular significa poder remover a camada de vigilância (o sistema) e não entregar a sua identidade a ela por padrão. O celular é um sensor; o homem livre mantém os seus sensores na coleira.
O que fazer
- Escolha um aparelho que deixe você possuir o software: um que rode um sistema de privacidade. O padrão atual é um Google Pixel com GrapheneOS — o sistema em si é o assunto do GrapheneOS.
- Para reparabilidade e longevidade, um projeto como o Fairphone (peças trocáveis, suporte longo).
- Se mantiver um celular comum, ponha-o na coleira: poucos aplicativos, permissões negadas por padrão, o número separado da sua identidade, lojas de aplicativos confiáveis. Nunca o trate como o seu cofre seguro.
- Carregue menos dele: o celular mais privado, às vezes, é o que você deixa em casa. Decida o que o aparelho tem permissão de saber.
- O sistema que transforma um celular de rastreador em ferramenta é o tema do GrapheneOS.
Para aprofundar