As virtudes teologais
As virtudes teologais
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Se os vícios são as raízes do mal, as virtudes são os hábitos do bem — as disposições estáveis que fazem a pessoa agir bem com naturalidade, e não só a duras penas. Há duas famílias. As primeiras, e mais altas, são as teologais: fé, esperança e caridade. Chamam-se assim porque têm Deus por origem, por motivo e por objeto — não se sobe até elas por treino, elas descem como dom (CIC 1813). São a graça tomando forma de hábito em você.
Fé, esperança, caridade
- Fé — aderir a Deus e a tudo o que Ele revelou, confiando n’Ele mais do que na própria opinião. Não é um sentimento; é uma adesão da inteligência e da vontade a Alguém digno de confiança.
- Esperança — desejar o Céu e confiar que Deus dá os meios de lá chegar. É o antídoto contra os dois desesperos: o de achar que não vale a pena e o de achar que se dá conta sozinho.
- Caridade — amar a Deus por Ele mesmo, e ao próximo por amor de Deus. Não é simpatia nem filantropia: é o próprio amor de Deus circulando através de você.
A maior é a caridade
Paulo já dizia: destas três, a maior é a caridade. A fé um dia dará lugar à visão, a esperança à posse — mas a caridade permanece para sempre, porque é a própria vida de Deus, que é amor. Por isso a tradição a chama “forma de todas as virtudes” (CIC 1827): é ela que dá alma às outras. Uma coragem sem amor é dureza; uma justiça sem amor é frieza; um jejum sem amor é vaidade. A caridade é o que impede a vida virtuosa de virar orgulho disfarçado de bondade.
O que fazer
- Peça-as, porque são dom: um ato de fé, um ato de esperança, um ato de caridade, ditos com a própria boca, valem mais do que parecem. Não se treina a virtude teologal; pede-se e se exerce.
- Teste a sua caridade no concreto: ame quem é difícil de amar hoje — não com sentimento, com um gesto. É aí que se vê se é dom de Deus ou só simpatia.
Para aprofundar
- Catecismo da Igreja Católica, §§ 1812—1829 — a fé, a esperança e a caridade (vatican.va)