Transmitir a fé
Transmitir a fé
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Chegamos ao ponto mais alto da educação, aquele para o qual todos os outros preparam o terreno: transmitir a fé. É na família que uma criança encontra Deus pela primeira vez — ou não O encontra. Por isso o Catecismo chama os pais de “os primeiros anunciadores da fé para os filhos” (CIC 2225), e a Igreja chama a família de primeiro lugar onde a fé se aprende. Nenhuma catequese, nenhuma escola católica, nenhum padre substitui esse berço.
Pega-se mais do que se ensina
E aqui vale, com força redobrada, a lei de toda educação: a fé se pega mais do que se ensina. As crianças não concluem que Deus é real porque lhes disseram — concluem pelo que veem. Percebem se os pais rezam de verdade ou só mandam rezar; se o domingo importa ou é um dia como outro; se a fé molda decisões concretas — o uso do dinheiro, o trato com o próximo, a honestidade sob pressão — ou se é um enfeite para as fotos. Uma fé vivida à vista contagia; uma fé só falada denuncia-se sozinha. É por isso que a primeira catequese de um filho é a própria vida dos pais, e por isso não se pode dar o que não se tem: pais que não vivem o que creem transmitem, sem querer, exatamente isso — que aquilo não se vive.
O que se transmite tem conteúdo, e ele não é vago. É a fé inteira da Igreja — quem é Deus, quem é Cristo, para que fomos feitos, como se reza — e a esse conteúdo esta Biblioteca dedica uma trilha à parte: a Vida Espiritual, que os pais podem percorrer para ter o que dar. Mas o modo de transmiti-lo é sempre o mesmo, e é encarnado: rezar com os filhos, e não só mandá-los rezar; levá-los aos sacramentos e deixá-los ver os pais recebê-los; responder às perguntas em vez de as desviar; e, sobretudo, deixá-los ver os pais de joelhos. Uma criança que vê o pai rezar aprende, num instante e para sempre, que rezar é coisa de gente séria.
A tarefa nova: educar a atenção
Há, hoje, uma frente que as gerações anteriores não conheceram e que os pais cristãos não podem ignorar: formar os filhos no uso do mundo digital. De nada adianta transmitir a fé numa hora do dia e, nas outras, entregar a criança a um algoritmo que educa a atenção dela em sentido contrário — a querer sempre mais, a nunca se aquietar, a consumir sem parar. Educar para a fé inclui, no nosso tempo, educar para que o filho seja senhor das ferramentas digitais em vez de escravo delas. A trilha do Mundo Digital é, também aqui, aliada da fé: proteger a atenção de uma criança é proteger a faculdade com que ela um dia rezará.
O que fazer
- Reze com os seus filhos, não apenas mande-os rezar. E deixe-os ver você rezar sozinho — a imagem de um pai ou uma mãe de joelhos ensina mais que anos de catecismo.
- Antes de exigir do filho uma fé que você não vive, comece por si: percorra o conteúdo que quer transmitir e passe a vivê-lo à vista dele. E cuide da atenção dele como cuidaria da saúde — porque é com ela que ele há de crer.
Para aprofundar
- Catecismo da Igreja Católica, §§ 2225—2226 — os pais, primeiros anunciadores da fé (vatican.va)
- São João Paulo II, Familiaris Consortio — a família como educadora na fé (vatican.va)