Nenhuma família é perfeita
Nenhuma família é perfeita
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Se você leu as seções anteriores e olhou para a sua própria casa, talvez tenha sentido um aperto: a distância entre o que a família é chamada a ser e o que a sua de fato é. Este é o momento de dizer, com todas as letras, o que faltava dizer: nenhuma família real corresponde inteiramente ao ideal. Toda família tem feridas, brigas, cruzes, membros que se perdem pelo caminho. O ideal descrito até aqui não é o retrato de nenhuma casa existente — é um norte pelo qual orientar a travessia. E o cristianismo nunca prometeu famílias perfeitas; prometeu que o amor pode atravessar o que não é perfeito.
Nem a Sagrada Família foi poupada
Vale lembrar que a própria Sagrada Família — o modelo — conheceu a angústia. Foi uma família de refugiados, obrigada a fugir de noite para o Egito escapando de um tirano que queria matar a criança (Mateus 2, 13-15). Foi uma família que passou três dias de aflição procurando o filho perdido (Lucas 2, 41-50). Se a casa de Nazaré, com Jesus, Maria e José, atravessou o medo, a fuga e a angústia, seria estranho esperar que a sua não atravessasse nada. As provações não são sinal de que uma família falhou; são a matéria mesma de que toda família é feita.
O Papa Francisco escreveu, na Amoris Laetitia, uma frase que respira alívio: “muitas famílias, que estão bem longe de se considerarem perfeitas, vivem no amor” (AL 57). É possível — é o normal, até — viver no amor sem ser perfeito. A santidade familiar não consiste em nunca cair, em nunca brigar, em nunca sofrer; consiste no modo como o amor perdoa, carrega e permanece através de tudo isso.
O que esta seção percorre
Esta é a seção mais honesta da trilha. Trata das travessias — os atravessamentos por onde toda família real passa:
- 5.1 · Brigar bem e perdoar — o conflito é inevitável; o que importa é como.
- 5.2 · A cruz na família — a doença, a morte, o filho que se afasta.
- 5.3 · O lar contra o algoritmo — o cerco específico da nossa década.
- 5.4 · Quando falta um — a família ferida, incompleta, ainda é família.
Comece pela travessia mais cotidiana de todas: brigar bem e perdoar.
Para aprofundar
- Papa Francisco, Amoris Laetitia, § 57 — as famílias reais, imperfeitas, que vivem no amor (vatican.va)
- Evangelho segundo São Mateus, 2, 13—15 — a fuga da Sagrada Família para o Egito