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Luigi e Maria Beltrame Quattrocchi

Luigi e Maria Beltrame Quattrocchi

4 min de leitura

Se os Martin mostram que a santidade familiar era possível no século XIX, os Beltrame Quattrocchi mostram que ela é possível agora — na cidade grande, na vida profissional, no meio das mesmas pressões que você conhece. Luigi era advogado; Maria, professora e escritora. Casaram-se em Roma em 1905 e viveram uma vida burguesa comum: as suas profissões, a criação dos filhos, duas guerras mundiais passando por cima da casa. E dessa vida absolutamente ordinária fizeram um caminho de santidade tão claro que, em 2001, foram beatificados juntos — o primeiro casal elevado aos altares como casal.

Santidade em terno e escritório

O que impressiona nos Quattrocchi é justamente o quanto se parecem conosco. Não fugiram do mundo nem viveram de modo excêntrico: Luigi ia ao tribunal, Maria escrevia e dava aulas, os quatro filhos cresciam numa casa como as outras. Mas por dentro dessa normalidade corria uma vida de fé intensa e discreta — Missa diária, o Rosário rezado em família, a oração doméstica, a hospitalidade, a caridade concreta com os pobres e, durante a guerra, com os refugiados que acolheram em casa. Faziam, em terno e escritório, exatamente o que esta trilha descreveu: transformavam o comum em oferenda.

Houve também a hora da cruz e da coragem. Na quarta gravidez, os médicos disseram a Maria que levá-la adiante punha em risco a sua vida, e aconselharam interrompê-la; ela recusou, confiando em Deus e na abertura à vida. Mãe e filha sobreviveram — e a filha viveria quase um século. Foi uma decisão tomada no escuro, sem garantias, do tipo que separa a fé professada da fé vivida.

Um casal, um caminho

Dos quatro filhos, três seguiram a vida consagrada e um tornou-se sacerdote — fruto de um lar onde a fé não era discurso, mas ar que se respirava. E há um detalhe que resume tudo: São João Paulo II os beatificou no dia do aniversário de casamento deles. Não por acaso. Era um modo de dizer que o caminho de santidade dos dois foi o próprio matrimônio — que eles chegaram a Deus não cada um por si, mas juntos, um pelo outro e com o outro, como casal. É a imagem mais exata do que significa dizer que o matrimônio é um caminho para o Céu: dois que sobem de mãos dadas, e chegam.

O que fazer

  • Pare de opor “vida moderna” e santidade. Os Quattrocchi eram profissionais urbanos do século XX, e chegaram lá sem largar o escritório. A sua rotina de trabalho e cidade pode ser, ela mesma, o caminho.
  • Busque a santidade como casal, não cada um por conta própria: uma oração que é dos dois, decisões tomadas diante de Deus juntos, um caminho de mãos dadas. Foi assim que eles subiram.

Para aprofundar

  • Beatos Luigi e Maria Beltrame Quattrocchi — a biografia do primeiro casal beatificado junto
  • Papa Francisco, Amoris Laetitia — a santidade vivida no cotidiano da família (vatican.va)

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