Louis e Zélie Martin
Louis e Zélie Martin
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Se alguém duvida de que uma família comum possa produzir santidade, a resposta tem nome e sobrenome: Louis e Zélie Martin. Um relojoeiro e uma rendeira da França do século XIX, casados, com nove filhos, negócios para administrar e a vida dura de qualquer casal do seu tempo. Em 2015 foram canonizados juntos — o primeiro casal a ser declarado santo como casal. E não por um feito extraordinário: por terem vivido de modo santo exatamente a vida ordinária que esta trilha inteira descreve.
Uma vida comum, cheia de cruz
A vida deles não foi poupada de nada. Os dois haviam desejado a vida religiosa e foram, cada um a seu modo, recusados; conheceram-se, casaram, e fizeram do matrimônio o seu caminho. Tiveram nove filhos — e enterraram quatro ainda pequenos, uma dor que hoje mal conseguimos imaginar. Zélie tocava uma próspera fábrica de rendas enquanto criava as filhas; Louis tinha a sua relojoaria. Zélie morreu de câncer de mama aos quarenta e cinco anos, quando a caçula, Teresa, tinha apenas quatro. Louis, nos últimos anos, sofreu uma grave doença mental e terminou os dias num hospício. Não houve, na vida dos Martin, escapatória das travessias de que falamos na seção anterior — houve todas elas.
Santos por dentro de tudo isso
E é aqui que está a lição. Eles não se santificaram apesar de tudo isso, num apesar heroico à parte da vida familiar. Santificaram-se por dentro disso — na oração diária em família, na Missa, na mesa, no trabalho oferecido a Deus, no luto carregado na fé, nos filhos formados no amor e na abertura à vida. As cartas de Zélie, que se conservaram, mostram uma mãe absolutamente normal: engraçada, preocupada com as contas e com a saúde das filhas, cansada, terna — e, ao mesmo tempo, uma santa. Não uma figura de vitral distante, mas uma mulher que qualquer mãe reconheceria.
O fruto dessa casa fala por si: entre as filhas que sobreviveram estava Teresa de Lisieux — Santa Teresinha, Doutora da Igreja, uma das santas mais amadas de todos os tempos. A “pequena via” que ela ensinaria ao mundo — santificar-se nas coisas pequenas, com grande amor — foi aprendida, antes de tudo, no lar dos Martin. É a prova cabal de que a Igreja doméstica não é uma teoria bonita: é uma fábrica de santos, quando vivida a sério.
O que fazer
- Deixe de esperar as condições “ideais” para buscar a santidade em família. Os Martin não as tiveram — tiveram luto, doença e trabalho duro — e chegaram lá por dentro deles. Comece com a vida que você tem.
- Leia, um dia, as cartas de Zélie Martin ou a História de uma Alma de Teresinha. Ver a santidade de tão perto, tão humana, faz com que ela deixe de parecer impossível.
Para aprofundar
- Zélie e Louis Martin, Cartas — a correspondência de um casal comum e santo
- Santa Teresa de Lisieux, História de uma Alma — o fruto do lar dos Martin, e a “pequena via”