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São João Paulo II, o papa da família

São João Paulo II, o papa da família

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Boa parte desta trilha bebeu, sem sempre o dizer, de uma só fonte. Nenhum pensador do século XX se debruçou sobre o amor humano e a família com mais profundidade do que Karol Wojtyła — São João Paulo II. Antes de ser Papa, foi filósofo e pastor de jovens casais; como Papa, deu à Igreja o corpo de ensino sobre o matrimônio mais rico dos tempos modernos. Vale, no fim, reconhecer o mestre e devolver-lhe o crédito.

Uma vida de pensamento sobre o amor

Ainda como jovem sacerdote e professor, escreveu Amor e Responsabilidade, onde formulou a norma personalista que atravessa esta trilha: a pessoa nunca pode ser usada, só amada. Já Papa, desdobrou aquela intuição num edifício inteiro. Deu ao mundo a Teologia do Corpo — anos de catequeses sobre o corpo como linguagem do dom de si. Publicou a Familiaris Consortio, o grande documento sobre a missão da família cristã, citado em quase toda esta trilha. Escreveu a Mulieris Dignitatem sobre a dignidade e o gênio da mulher. E, no Ano Internacional da Família, dirigiu a todos a Carta às Famílias, onde afirma que a família “é a primeira e a mais importante via” pela qual a Igreja caminha. Não foi teoria de gabinete: instituiu os Encontros Mundiais das Famílias e fez da defesa do matrimônio uma bandeira de todo o seu pontificado, no exato momento em que o mundo começava a desmontá-lo.

Um coração de pai — e de órfão

E há algo comovente por trás dessa dedicação. João Paulo II conheceu, como poucos, a perda da própria família: a mãe morreu quando ele era menino, o irmão mais velho pouco depois, e o pai antes de ele completar vinte e um anos. Ficou sozinho no mundo cedo. Talvez por isso — porque soube na carne o que é a família faltar — tenha feito das famílias do mundo inteiro a sua própria, e as defendido com um zelo que só se entende como amor de quem sabe o valor daquilo pela ausência. O papa da família foi, ele mesmo, um órfão que amou a família como quem ama o que perdeu.

Ele é hoje São João Paulo II, canonizado em 2014. A crise moderna da família encontrou nele não apenas um crítico, mas um defensor que lhe deu, ao mesmo tempo, uma filosofia e um coração de pai. Devolver-lhe a atenção, lendo-o na fonte, é um dos melhores serviços que um casal pode prestar a si mesmo.

O que fazer

  • Leia São João Paulo II na fonte, e não em resumos de terceiros. Comece pela Carta às Famílias — é breve, acessível e escrita para você, não para especialistas.
  • Se é casado, tome uma das intuições dele — a pessoa nunca se usa; o corpo é linguagem; a família é uma via — e viva-a esta semana em um gesto concreto. O melhor tributo a um mestre é praticá-lo.

Para aprofundar

  • São João Paulo II, Carta às Famílias (Gratissimam Sane) — a família como “a primeira e a mais importante via” (vatican.va)
  • São João Paulo II, Familiaris Consortio — a missão da família cristã no mundo de hoje (vatican.va)

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