Maturidade emocional
Maturidade emocional
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A idade adulta chega sozinha; a maturidade, não. Todos conhecemos adultos de corpo crescido e emoções infantis — pessoas que fazem birra quando contrariadas, que não toleram a menor frustração, que culpam sempre os outros, que oscilam ao sabor do humor, que precisam ser o centro das atenções. E conhecemos também jovens de uma maturidade emocional notável, serenos, capazes de suportar, de esperar, de se doar. A diferença entre uns e outros não é a idade: é a maturidade emocional, e formá-la é um dos trabalhos mais decisivos e menos falados da vida.
O que é ser emocionalmente maduro
O maduro emocionalmente não é o que não sente — já vimos que isso é mutilação, não virtude. É o que reconhece o que sente, sem ser dominado por isso. Sabe nomear as próprias emoções (“estou magoado”, “estou com inveja”, “estou com medo”) em vez de simplesmente descarregá-las nos outros. Tolera a frustração sem desabar: aceita que nem tudo sai como quer, que a espera faz parte, que o “não” existe. Assume a responsabilidade pela própria vida em vez de se instalar no papel de vítima eterna a quem tudo é devido e nada é culpa. E é capaz de sair de si mesmo — de reparar no outro, de se pôr no lugar dele, de amar sem exigir ser o centro. O imaturo gira em torno do próprio umbigo; o maduro tem espaço interior para caber os outros.
Amadurece quem foi amado
E aqui há uma descoberta psicológica de grande alcance, que os psiquiatras católicos Conrad Baars e Anna Terruwe formularam com clareza: a maturidade emocional nasce, antes de mais, de se ter sido afirmado. Afirmar uma pessoa é amá-la pelo que ela é — alegrar-se com a sua existência, fazê-la sentir, antes de qualquer mérito, que é boa que exista. A criança que é afirmada assim — olhada com alegria, amada sem ter de merecer — recebe a segurança emocional de base que lhe permite depois crescer, arriscar, amar por sua vez. E a que não foi afirmada — a que cresceu tendo de conquistar a todo custo um amor que nunca veio de graça — tende a ficar presa, emocionalmente faminta, buscando a vida inteira, nos lugares errados, aquela confirmação que lhe faltou. Muita imaturidade adulta é, no fundo, uma fome de afirmação não saciada na infância.
Isto tem duas consequências práticas enormes. Primeira, para quem cria os outros — pais, educadores, chefes: a maior dádiva que você pode fazer a alguém é afirmá-lo, amá-lo pelo que é antes do que faz. É assim que se formam pessoas emocionalmente sadias, como se detalha na trilha da Família. Segunda, para quem carrega feridas de afirmação: elas não são uma sentença. O adulto pode reencontrar essa afirmação de base — no amor de Deus, que o afirma incondicionalmente (“criou-te por amor”), num bom cônjuge ou amigo, e, quando preciso, com ajuda terapêutica. Amadurecer é possível em qualquer idade; nunca é tarde para começar a crescer por dentro.
O trabalho de amadurecer
Além de ter sido (ou de reencontrar-se) afirmado, a maturidade cresce por um trabalho concreto: o autoconhecimento (olhar honesto para os próprios padrões, feridas e reações), a responsabilidade (parar de culpar os outros e de se fazer de vítima), a tolerância à frustração (aceitar o real como é, incluindo os “nãos”), e a descentração (aprender a reparar nos outros). É lento e às vezes doloroso, porque exige olhar para o que costumamos evitar. Mas o fruto é uma das coisas mais belas que um ser humano pode chegar a ser: um adulto de verdade — sereno, firme, capaz de amar sem exigir, de sofrer sem desabar, de estar com os outros sem os usar.
O que fazer
- Da próxima vez que uma emoção forte o dominar, pratique o primeiro passo da maturidade: pare e nomeie o que sente, com honestidade (“estou com inveja”, “estou magoado”), em vez de descarregá-lo em alguém. Nomear já é começar a não ser dominado.
- Se você educa ou lidera alguém, faça hoje um ato de afirmação gratuita: diga ou mostre a essa pessoa que ela é boa que exista, antes e independentemente do que ela faz. É o alimento de que a maturidade emocional cresce.
Para aprofundar
- Conrad Baars e Anna Terruwe, Born Only Once (Nascido só uma vez) — a afirmação como raiz da maturidade emocional
- Catecismo da Igreja Católica, §§ 1762—1770 — a integração das paixões, base da maturidade afetiva (vatican.va)