Santa Gianna Beretta Molla
Santa Gianna Beretta Molla
⏱ 4 min de leitura
As testemunhas desta trilha terminam com uma mulher do nosso tempo, tão próxima que os seus filhos ainda vivem: Gianna Beretta Molla (1922-1962), médica pediatra italiana, esposa e mãe. A sua vida e a sua morte reúnem, num só ponto, tudo o que esta trilha disse — que o corpo é dom, que a vida é sagrada, que a medicina é serviço, que o amor maior dá a própria vida. E fá-lo não no heroísmo distante de outra época, mas no meio de uma vida moderna, comum e feliz.
Uma vida plena e alegre
É importante dizer, antes de tudo, que Gianna não era uma figura sombria nem uma mártir que buscava o sofrimento. Era o oposto: uma mulher alegre, moderna, apaixonada pela vida. Formou-se em medicina, especializou-se em pediatria, e exercia com dedicação, cuidando sobretudo de mães, crianças, idosos e pobres. Gostava de esquiar, de subir montanhas, de música, de viajar; casou-se por amor com um engenheiro, Pietro, e escreveu-lhe cartas cheias de ternura; teve filhos, e amava-os intensamente. Era, em tudo, uma leiga plenamente inserida no mundo — a prova de que a santidade não exige largar a profissão, a família nem as alegrias da vida, mas vivê-las com amor. Já era santa muito antes da hora da prova, na fidelidade de cada dia.
A hora da escolha
A prova veio na quarta gravidez. Os médicos descobriram um tumor no seu útero, e havia três caminhos: retirar o útero (o que salvaria a sua vida, mas mataria o bebê e a deixaria sem poder ter mais filhos), abortar (o que a salvaria matando só o bebê), ou remover apenas o tumor tentando preservar a gravidez — a opção mais arriscada para ela, a única que respeitava a vida do filho. Gianna, que era médica e sabia exatamente o que estava em jogo, escolheu a terceira. E foi clara com os médicos: se em algum momento fosse preciso escolher entre a sua vida e a da criança, que salvassem a criança. Não por desprezo pela própria vida — amava-a —, mas porque não podia, em consciência, comprar a sua vida com a morte do filho.
A menina, Gianna Emanuela, nasceu saudável. A mãe morreu uma semana depois, aos 39 anos, de complicações, repetindo nos últimos dias a sua entrega. Foi uma decisão tomada não num arroubo, mas com a lucidez de uma médica e a fé de uma cristã — o cumprimento exato daquela palavra de Jesus: “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por quem ama” (Jo 15,13).
O amor que dá a vida
João Paulo II canonizou Gianna em 2004 — e, num fato comovente e inédito, o seu marido Pietro e os seus filhos, incluindo a própria Gianna Emanuela, então médica, estavam presentes a ver a mãe ser declarada santa. É a imagem perfeita do que ela testemunhou: uma vida que gerou vida ao preço da própria. Santa Gianna é hoje padroeira das mães, dos médicos e das crianças por nascer, e diz, com a sua história, mais do que mil argumentos: que a vida do mais frágil vale, que a maternidade é um dom que pode chegar ao heroísmo, que o amor verdadeiro se prova quando custa tudo. Numa cultura que ensina a descartar a vida inconveniente, ela ergue-se como a resposta viva — uma mãe que escolheu a filha, e ganhou a santidade e a filha.
O que fazer
- Deixe Santa Gianna desfazer em você a ideia de que a santidade é para outra época ou outra vida: ela foi médica, esposa, mãe, alegre e moderna, e santificou-se nisso. Viva a sua profissão, a sua família e as suas alegrias com o amor com que ela viveu as suas.
- Guarde a lição da sua escolha para as suas próprias horas de prova: o amor verdadeiro mede-se quando custa. Peça, desde já, a graça de, nas suas escolhas difíceis, pôr a vida e o bem do outro acima do seu próprio conforto — como ela pôs.
Para aprofundar
- A vida de Santa Gianna Beretta Molla — a médica e mãe canonizada em 2004, padroeira das mães e das crianças por nascer
- Evangelho segundo São João 15,13 — “ninguém tem maior amor do que quem dá a vida por quem ama”