São Josemaría Escrivá
São Josemaría Escrivá
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Já recolhemos o ensinamento de Escrivá sobre santificar o trabalho ordinário. Vale agora conhecer o homem — porque a força de uma doutrina cresce quando se vê que ela foi, antes de tudo, uma vida. Josemaría Escrivá não teorizou a santidade do trabalho de uma escrivaninha: viveu-a, e gastou-se por inteiro a levá-la aos outros.
Uma vida por uma ideia
Nascido na Espanha em 1902, ordenado sacerdote em 1925, Escrivá recebeu em 1928 aquilo que sempre descreveu como uma luz de Deus: a compreensão de que os cristãos comuns — os leigos no meio do mundo, com os seus empregos, famílias e afazeres — são chamados à santidade precisamente ali, e não apesar da sua vida ordinária, mas através dela. Para difundir e viver essa mensagem, fundou o Opus Dei, cujo nome diz tudo o que ele acreditava: “Obra de Deus”. Não uma fuga do mundo, mas uma consagração do mundo por dentro; não menos trabalho, mas trabalho transformado em oração e em serviço.
A partir daí, a sua vida foi uma só insistência, repetida a milhões: você não precisa ser padre nem freira para ser santo; o seu escritório, a sua fábrica, a sua cozinha, a sua sala de aula são o lugar do seu encontro com Deus. Escreveu livros que se tornaram clássicos da espiritualidade leiga — Caminho, Amigos de Deus, É Cristo que passa —, todos girando em torno da mesma verdade luminosa: a grandeza está na vida ordinária feita com amor. Deus, dizia ele, espera-nos nas coisas mais materiais e comuns.
A revolução silenciosa
O que Escrivá provocou foi uma espécie de revolução silenciosa na maneira de entender a vida cristã. Durante séculos, muitos batizados tinham crescido crendo, sem que ninguém o dissesse com todas as letras, que a santa era uma vida de segunda classe reservada ao clero e aos religiosos. Escrivá recolocou no centro uma verdade tão antiga quanto o Evangelho e tão nova quanto uma boa notícia: o chamado à santidade é universal, e o caminho para a maioria passa pelo trabalho profissional bem feito e oferecido. Milhões de pessoas comuns — engenheiros, médicos, operários, donas de casa, professores — descobriram, por meio dele, que a sua segunda-feira podia ser tão sagrada quanto o seu domingo.
Foi canonizado por João Paulo II em 2002, diante de uma multidão. Mas o seu verdadeiro monumento não está em Roma: está em cada pessoa comum que, por causa dele, entra amanhã no trabalho sabendo que ali a espera Deus.
O que fazer
- Se a mensagem desta trilha o tocou, vá à fonte: leia um dos livros de Escrivá — Amigos de Deus é um bom começo — e deixe-o formar o seu modo de trabalhar. Ele escreveu para você, não para especialistas.
- Faça hoje o que Escrivá pedia: transforme uma hora comum de trabalho em oração, oferecendo-a e fazendo-a bem. A santidade que ele pregava não começa amanhã, num lugar melhor; começa agora, nesta tarefa.
Para aprofundar
- São Josemaría Escrivá, Caminho, Amigos de Deus, É Cristo que passa — a santidade no trabalho ordinário
- A vida de São Josemaría na trilha da Vida Espiritual desta Biblioteca