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Frassati e Ozanam

Frassati e Ozanam

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Faltam, nesta galeria, os leigos jovens — os que ainda estavam construindo a carreira, ou no auge da vida profissional, quando fizeram do trabalho e do estudo um caminho de santidade e de serviço. Dois rostos bastam, separados por quase um século, e ambos hoje nos altares: um estudante de engenharia italiano e um professor universitário francês.

Frassati: o engenheiro dos pobres

Pier Giorgio Frassati nasceu em Turim em 1901, filho de uma família rica e influente — o pai era dono de um grande jornal e embaixador. Poderia ter tido uma vida cômoda; escolheu outra coisa. Estudava engenharia de minas no Politécnico de Turim, e explicava a escolha com uma frase que diz tudo: queria ser engenheiro de minas para poder servir melhor a Cristo entre os mineiros, os operários mais duramente tratados. A sua fé não era um enfeite dominical: era o motor de tudo. Enquanto estudava, dava aos pobres literalmente o que tinha — o dinheiro do bonde (voltava a pé), o próprio casaco, tempo, presença —, visitava doentes nas favelas de Turim, e fazia tudo isso escondido, com uma alegria contagiante. Amava as montanhas, e a sua palavra de ordem, escrita numa foto de uma escalada, virou lema de gerações: “Verso l’alto” — para o alto.

Morreu aos 24 anos, em 1925, de uma poliomielite fulminante que muitos acreditam ter contraído justamente entre os doentes pobres que servia. A cidade descobriu, no seu funeral, que as ruas estavam cheias de gente miserável a quem aquele jovem rico socorria em segredo. São Pier Giorgio Frassati foi canonizado em 2025 — e é hoje um dos padroeiros por excelência dos jovens e dos estudantes: a prova viva de que se pode ser moderno, atlético, alegre, estar no meio do mundo e da universidade, e ser santo.

Ozanam: o professor que serviu com as mãos

Antoine Frédéric Ozanam nasceu em 1813 e tornou-se um dos grandes intelectuais católicos do seu tempo: doutor em direito e em letras, professor de literatura na Sorbonne, em Paris, com apenas trinta e poucos anos. Poderia ter-se contentado em brilhar nas salas de aula e nos livros. Mas, ainda estudante, um colega desafiou-o: de que serve a fé de que tanto falais, se não fazeis nada pelos pobres? A provocação mudou-lhe a vida. Aos vinte anos, Ozanam e alguns amigos fundaram as Conferências de São Vicente de Paulo — pequenos grupos de leigos que iam, em pessoa, levar pão, lenha e amizade às famílias miseráveis de Paris. A Sociedade de São Vicente de Paulo que ele fundou existe hoje no mundo inteiro, e socorre milhões.

Ozanam encarna o casamento entre a inteligência e a caridade. Foi um pioneiro do pensamento social católico, insistindo em plena Revolução Industrial na justiça devida aos operários — ideias que ajudaram a preparar o terreno da Rerum Novarum. Mas nunca ficou nas ideias: serviu com as próprias mãos, provando que o professor e o intelectual não estão dispensados de descer da cátedra até o pobre. João Paulo II beatificou-o em 1997, em Paris, diante dos jovens do mundo.

O que os dois ensinam

Separados por um século e por profissões distintas — a engenharia e a literatura —, Frassati e Ozanam dizem a mesma coisa a quem trabalha ou estuda: a carreira não é um muro entre você e os pobres; pode ser a ponte. O saber e a profissão, longe de dispensarem o serviço, dão-lhe meios e alcance. E ambos eram jovens, alegres, cheios de vida — o que desmente de vez a caricatura da santidade triste. Estudar bem, trabalhar bem, e com isso servir os últimos: eis um programa de vida inteiro, e dois santos para o inspirar.

O que fazer

  • Deixe a sua profissão ou o seu estudo virar ponte, não muro: escolha um modo concreto pelo qual o que você faz ou aprende possa servir a quem tem menos — um saber posto ao serviço, um tempo dado, uma caridade discreta como a de Frassati.
  • Se você é jovem ou estuda, tome Frassati como companheiro: verso l’alto. Prove que se pode ter uma vida plena, moderna e alegre e, ao mesmo tempo, dar-se a Deus e aos pobres. Os dois não se disputam; completam-se.

Para aprofundar

  • São Pier Giorgio Frassati — o estudante de engenharia canonizado em 2025, padroeiro dos jovens
  • São João Paulo II, homilia da beatificação de Frédéric Ozanam (Paris, 1997) (vatican.va)

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