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Santo Tomás de Aquino

Santo Tomás de Aquino

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Se esta via tem um patrono, é ele. Santo Tomás de Aquino (1225-1274) foi o maior mestre do realismo cristão — aquele que, contra toda tentação de fechar a mente em si mesma, ensinou que a inteligência foi feita para o ser, para o real, e que conhecer é acolher o mundo que Deus criou. Foi dele que recebemos a definição de verdade que abre esta via: a adequação entre a inteligência e a coisa. Dele veio a defesa serena de que a fé e a razão não se contradizem, porque toda verdade vem de Deus. E foi ele quem descreveu o conhecer por conaturalidade, o saber que vem do amor. Toda a espinha desta via é, no fundo, tomista.

Uma inteligência a serviço do real

Impressiona, em Tomás, a combinação de rigor e serenidade. Ele pensava contra si mesmo: em cada questão, expunha primeiro, e com toda a força, os argumentos contrários ao que iria defender — muitas vezes formulando as objeções melhor do que os próprios adversários. É o oposto exato do espantalho e do bulverismo que estudamos: Tomás procurava a versão mais forte de quem discordava, porque buscava a verdade, não a vitória. A sua obra imensa não é um monumento à sua esperteza; é um ato de humildade diante do real, examinado por todos os lados, com a paciência de quem quer ver, e não de quem quer brilhar. Pensar bem, nele, é uma forma de reverência.

“Tudo o que escrevi me parece palha”

Mas o mais eloquente de tudo é o fim da sua vida, e é a razão de ele fechar, e não abrir, esta via de testemunhas. No dia 6 de dezembro de 1273, enquanto celebrava a Missa, Tomás teve uma experiência que nunca quis descrever. A partir daquele dia, parou de escrever, deixando inacabada a sua obra máxima. Quando o seu secretário insistiu para que continuasse, respondeu com palavras que resumem toda a sabedoria desta seção: “Não posso, porque tudo o que escrevi me parece palha diante daquilo que me foi revelado”. O maior teólogo da história, no topo do maior edifício intelectual já construído, reconhece que tudo aquilo é palha diante do real que se lhe deu a ver. Não que a sua obra fosse falsa — é verdadeiríssima, e a Igreja a venera. Mas o real, e sobretudo o Real que é Deus, excede infinitamente tudo o que dele conseguimos dizer.

O cume e a humildade

Nisto Tomás é o patrono perfeito de quem quer ver o real. Ele mostra que o cume do pensamento não é o orgulho, mas a humildade; que quanto mais fundo se conhece, mais se percebe o quanto o real ultrapassa o conhecimento; e que a inteligência mais alta é aquela que, no fim, se ajoelha. O homem que mais pensou foi também o que mais se curvou. Não há contradição entre estudar como poucos e reconhecer-se pequeno diante da verdade — pelo contrário, é a mesma alma sadia levada ao seu termo. Toda esta via cabe naquela palavra: pense com todo o rigor, use a razão até o limite, e saiba, no fim, que tudo é palha diante d’Aquele que é a Verdade.

O que fazer

  • Faça como Tomás fazia: antes de defender a sua posição, formule o argumento contrário na sua versão mais forte. Se não sabe fazê-lo, ainda não entendeu o assunto — nem o adversário.
  • Estude com afinco e sem orgulho. O saber verdadeiro não incha; humilha, porque mostra a cada passo o quanto o real nos ultrapassa.
  • Guarde a palavra “palha” para os momentos de vaidade intelectual. Diante do que Deus é, o nosso melhor saber é isso — e reconhecê-lo é já o começo da sabedoria.

Para aprofundar

  • Josef Pieper, O silêncio de São Tomás — o episódio da “palha” e o sentido do silêncio final do maior teólogo
  • G. K. Chesterton, Santo Tomás de Aquino — o retrato vivo do mestre do realismo e do bom senso

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